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Quarta-feira, 10 de março de 2010
Ouvidor nacional critica polícia em caso de desaparecidos em GO

Márcio Leijoto Direto de Goiânia

O ouvidor nacional da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República Fermino Fechio Filho criticou nesta quarta-feira o trabalho da Polícia Civil nas investigações dos desaparecimentos de seis jovens em Luziânia, em Goiás.

Os casos ocorreram entre os dias 30 de dezembro de 2009 e 22 de janeiro deste ano, e até agora a polícia não divulgou nenhuma pista concreta sobre o paradeiro dos jovens. "A polícia demorou muito para agir. E sabemos que quanto mais demora para se investigar um caso, mais fácil as pistas vão embora. Quando eu estive aqui e falei com o delegado que cuidava do caso, ele me disse que desaparecimentos eram comuns em Luziânia. Aí fui falar com o delegado da seccional e ele ou fugiu da ouvidoria ou não quis atender a gente", disse o ouvidor.

Para Fechio Filho, a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) demorou muito para autorizar a entrada da Polícia Federal no caso. "Quando foi oferecido o apoio da Polícia Federal, a secretaria disse que não precisava. Só que até hoje as mães não têm nenhuma pista do que houve com seus filhos", afirmou.

O ouvidor nacional esteve em Goiânia nesta quarta participando de uma audiência na Assembléia Legislativa sobre violência e afirmou ser inaceitável que até agora a polícia não tenha apresentado nenhum resultado concreto sobre as investigações. "O delegado me disse que são comuns os desaparecimentos. Se sabia disso, porque então não havia algum plano preventivo para impedir novos casos. Com certeza, a situação chegou a essa atual porque a polícia demorou muito para agir", disse.

Na semana passada, o delegado Josuemar Vaz de Oliveira, que coordenada as investigações, afirmou em audiência na Assembléia Legislativa que a polícia não tinha nenhuma pista concreta sobre os jovens e que os desaparecimentos eram "atípicos". O que se sabe até agora é que as polícias civil e federal trabalham com seis retratos-falados.

A reportagem entrou em contato com o secretário estadual de Segurança Pública, Ernesto Roller, por meio de sua assessoria de imprensa, mas até o final desta tarde não obteve um retorno sobre as críticas feitas por Fechio Filho. A assessoria de imprensa da Polícia Civil disse que só a Sesp poderia se manifestar.

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